ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS SÃO IRREVERSÍVEIS Dezembro 27, 2006
Posted by Nuno Formiga in Ciência e Tecnologia, Sociedade.2 comments
Segundo o diário espanhol El País, um grupo de 2 500 cientistas constituintes do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU atribuiu pela primeira vez, de forma inequívoca, responsabilidades às actividades humanas no que diz respeito às alterações climáticas . Este estudo afirma ainda que o aquecimento global e a subida das águas do mar são irreversíveis, mesmo que fossem eliminadas hoje as emissões responsáveis por este fenómeno.
O aquecimento global é provocado pelos chamados Gases com Efeito de Estufa (GEE). Os gases que mais contribuem para este efeito são o dióxido de carbono, o metano, o óxido nitroso, os hidrogenofluorocarbonetos, o vapor de água, entre outros.
Todos estes gases têm a capacidade fisico-química de reter grandes quantidades de calor nas suas estruturas moleculares, servindo como barreira à dissipação do mesmo para a parte superior da atmosfera. O aumento da quantidade destes gases na atmosfera está directamente relacionado com o aumento da queima de combustíveis fósseis que, grosso modo, tem como produtos da reacção o dióxido de carbono e o vapor de água.

Ilustração do Efeito de Estufa
O efeito de estufa ocorre naturalmente na Terra sendo o responsável pelas temperaturas amenas que permitem a existência de vida no nosso planeta. No entanto, à medida que estes gases se forem acumulando, maior será a retenção de calor à superfície da Terra, o que provocará um aumento gradual da temperatura, o degelo dos glaciares (que já se iniciou) com o aumento gradual das águas do mar e a ocorrência de fenómenos atmosféricos pouco habituais em certas zonas do globo (furacões, tempestades tropicais, etc).
À partida poderá pensar-se que este problema é exclusivo de países fortemente industrializados mas, tendo em conta que não há fronteiras para atmosfera e que as massas de ar (causadoras dos fenómenos meteorológicos que conhecemos) se deslocam constantemente o problema é de todos nós! Assim, torna-se fulcral que sejam tomadas medidas tecnológicas a nível global, sem excepções, a bem do futuro do nosso planeta!
Na Cimeira de Nairobi, decorrida em Novembro e onde foram debatidas as acções a tomar no período pós-2012 (pós-Quioto), foi pela primeira vez demonstrada vontade política para mudar as políticas ambientais por parte dos EUA e do Canadá, dois dos países com mais fortes responsabilidades neste campo e que, até à data, se têm alheado do problema.
É certo que tem que partir de todos nós o desejo a atitude de querer inverter esta situação. Mas, a que custo? Apesar de ser desejo de alguns movimentos mais “verdes” terminar com a indústria, tal é profundamente indesejável tendo em conta que é essa mesma indústria que equilibra a economia mundial e fornece as commodities (os automóveis, por exemplo) de que ninguém está disposto a abrir mão.
Neste momento, a indústria (principalmente a europeia, sujeita ao Comércio Europeu de Licenças de Emissão) é mesmo o sector económico que mais restrições tem sentido e, por isso, o que tem menos margem de manobra. A solução passa assim por um investimento cada vez maior na sensibilização das populações, no desenvolvimento de redes de transportes públicos rápidos, frequentes, confortáveis e de elevada qualidade e na investigação e desenvolvimento de novas tecnologias que permitam, gradualmente, reduzir as emissões dos GEE.
É uma verdade que as novas descobertas são, na sua maioria, fruto do acaso ou de largos anos de investigação. Mas é da responsabilidade de todos os Governos (sem excepção!) tomar medidas para que esta calamidade anunciada não tenha os efeitos que, ao que tudo indica, serão catastróficos já na geração dos nossos filhos!