CEGO APANHADO A CONDUZIR A 154 KM/H É ABSOLVIDO POR TRIBUNAL Janeiro 24, 2007
Posted by Nuno Formiga in Sociedade.2 comments
Segundo notícia do El Pais, um cego detido por conduzir a 154 km/h numa auto-estrada espanhola foi absolvido da acusação de fraude por um tribunal que aceitou a afirmação da seguradora que sustentou que o homem pode ver.
O motivo que levou este cego ao banco dos réus foi o facto de um juiz de Barcelona, em 1998, na sequência de um acidente de viação, ter declarado à seguradora Mapfre que Domingo Merino Arjona, de 57 anos, padece de «cegueira total» originada pelo acidente, estabelecendo o valor da indemnização em 550.000 euros.
Com esta infracção, a Mapfre acusou o homem de fraude, argumentando que a «cegueira total» é incompatível com a condução a 154 km/h e com o facto de ter assinado a folha da Guardia Civil Española aquando do momento da detecção da infracção, exigindo assim o reembolso de parte da indemnização e 3 anos de prisão para o arguido.
Durante o processo, provou-se que o tribunal de Barcelona tinha cometido um erro de avaliação em 1998 e que o homem afinal não é totalmente cego, tendo perdido a totalidade da visão no olho esquerdo, mas possuindo ainda alguma (baixa) acuidade visual no olho direito. No entanto o facto de o tribunal de Barcelona o ter declarado como «cego total» torna-o legalmente num «cego total» e, assim sendo, a pretensão da seguradora foi «por água abaixo»!
O juiz deste caso aceitou ainda a justificação dada pelo arguido, que afirmou ter-se colocado ao volante numa recta (quem conduziu na maior parte da viagem de Valência para Albacete foi a esposa), seguindo as instruções da sua mulher, que confirmou as declarações do marido. A Guardia Civil Española confirmou também que de facto, o local da infracção é uma recta com cerca de 4 km de extensão.
Feitas as contas, parece que quem reinou foi quem literalmente só tem um olho…mas a Mapfre já interpôs um recurso para o Supremo Tribunal de Justiça Espanhol…
Se servir de consolo para quem diz que a justiça portuguesa vai mal…a dos nuestros hermanos não vai melhor!