“COGUMELOS MÁGICOS” PARA TODOS Fevereiro 9, 2007
Posted by Rui Formiga in Sociedade.51 comments
A loja “Cogumelo Mágico” abriu as portas ao público na passada quinta-feira, dia 8, em Aveiro (centro comercial Oita). Carlos Marabuto é o proprietário da primeira smart-shop a abrir portas fora do território holandês, país onde existem centenas de espaços de venda e consumo – coffee-shops – das ditas “drogas leves”. De notar que a Holanda é, até ver, o único país da Europa onde este tipo de drogas não são inconstitucionais.
De acordo com as informações noticiadas esta noite pela SIC, a loja teve já vários visitantes dos quais se destacam seis agentes da PSP que apenas apreenderam algumas substâncias «para análise». Assim, a loja continua de portas abertas e qualquer um (com mais de 18 anos) pode comprar Salvia Divinorium pronta a ser fumada, cactos de S. Pedro de onde pode retirar Mescalina, kits de cultivo de cogumelos alucinogéneos e chás de Ayahuasca – uma mistura de plantas ingeridas pelos xamãs em rituais “mágicos” – entre muitas outras drogas e material de cultivo.
A explicação para a loja continuar aberta e Carlos Marabuto continuar em liberdade é muito simples: a lei portuguesa não proíbe a venda destas substâncias. «Vendemos apenas produtos de origem natural, que não estão na lista dos produtos proibidos, mas que contêm princípios químicos activos. Isso posso garantir eu e a minha advogada. É o caso da erva sálvia que é legal desde a plantação até à venda e consumo. É uma erva alucinogénica que pode ser fumada ou usada em chá através de concentrados com os quais, em doses de um grama, já se consegue ter uma ‘trip’ alucinogénica», afirma, tranquilo, o dono do “Cogumelo Mágico”. Carlos Marabuto diz ainda que «a abertura desta casa pode dar início a uma mudança na maneira como as pessoas vêem as drogas em Portugal» e que foi «com muito trabalho» que conseguiu “roubar” da Câmara de Aveiro a lincença que lhe permitiu abrir esta «ervanária para maiores de 18».
Este Acontecimento suscita-me algumas questões, das quais destaco as seguintes: afinal, o que são e quais são as “drogas-leves”? E se o próprio comerciante (e não traficante porque não há leis que me permitam disigná-lo como tal) afirma que vende produtos alucinogénicos, será aceitável que os nossos legisladores se estejam marimbando? As substâncias que vendidas no “Cogumelo Mágico” são provocadoras de alterações do estado de consciência de quem as consome, provocando alucinações que podem, posteriormente, provocar danos cerebrais irreversíveis. Será que isso não coloca estas drogas num patamar acima e bem mais perigoso daquele onde está a “tradicional” Marijuana que, mesquinhamente, tem sido alvo de tanta polémica e repulsa?
De facto, esta loja não é a única que contorna as leis europeias. O site Azarius está registado em seis países da Europa – Reino Unido, Holanda, Alemanha, França, Espanha e Portugal – e, à semelhança do “Cogumelo Mágico”, disponibiliza um vasto leque de drogas e assessórios para o seu consumo e cultivo doméstico e funciona já há alguns anos. No Azarius é possível encomendar drogas em quantidade literalmente industrial (literalmente), e são feitas distribuições para todo o mundo. Assim, pergunto-me: será aceitável existirem sites onde se podem encomendar QUILOS de cogumelos alucinogénicos (por exemplo)? E, note-se ainda, neste site não existe qualquer tentativa de garantir que os visitantes são maiores de idade!
Eu até compreendo… são tantos tipos de droga..! Já viram bem a trabalheira que as brigadas de narcóticos e, posteriormente, os legisladores iam ter para documentar tanta coisa? Isso ia gastar muita tinta… Já para não falar da extrema dificuldade com que os senhores agentes da autoridade seriam confrontados quando estivessem a fazer apreensões:
- Agente Gomes, diga-me lá se a carteira deste rapazolas não tresanda a Amanitas Muscaria?
- Não chefe… estou convencido que são Psilocibos Cubensis.
- Tem a certeza, Gomes? Hmmm… Então tire-lhe lá as algemas! Só a partir da próxima Quarta-Feira é que vai haver leis para isso.
Mas pronto… por certo que se não fossem personagens como o Sr. Marabuto ninguém se lembrava que este tipo de pseudo-(i)legalidades são reais.
O ACONTECE deseja-lhe boas vendas e continuação de uma boa liberdade.