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BENTO XVI, SÓCRATES, O ABORTO E O TERRORISMO Janeiro 7, 2007

Posted by Nuno Formiga in Sociedade.
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Bento XVINa mensagem de Ano Novo da Igreja Católica, o Papa Bento XVI comparou a questão do aborto a actos de terrorismo chegando mesmo a acusar quem recorre a esta prática como autores de «atentados contra a paz».

Dias depois, em Portugal, José Sócrates apelou às estruturas do PS que iniciem o combate à abstenção no referendo sobre o aborto e tenham «respeito total» pelos cidadãos e militantes a favor do não, referindo que os socialistas deverão assumir uma linha de «moderação», defendendo o voto no «sim» não para liberalizar o aborto, mas para que a lei deixe de criminalizar a interrupção da gravidez quando praticada nas primeiras dez semanas.

Independentemente da minha tendência de voto neste assunto (sou a favor do «sim»), apesar de terem sido feitas em contextos políticos diferentes, considero ambas as intervenções francamente despropositadas.

É certo que em democracia todos os cidadãos (de Portugal e do Mundo), incluindo o Primeiro-Ministro e o Papa, enquanto cidadãos (no caso de Bento XVI a situação é um pouco diferente, mas enquandra-se neste contexto), têm o direito e o dever de manifestar opiniões sobre o que será o melhor para todos nós, mas enquanto titulares de cargos tão importantes na sociedade, a moderação nas palavras que se usam é sempre de bom tom.

Assim, relativamente aos dois discursos, não posso deixar de tecer as seguintes considerações:

José Sócrates: enquanto Primeiro-Ministro e líder do Governo português esta tomada de posição é inadequada, principalmente num assunto sobre o qual se escreve e fala muito mas onde a informação ao povo português tem sido negligenciada. Nestas situações, o voto individual (principalmente nos cidadãos com menor alfabetização) é facilmente manipulável, tanto pela classe política como pela Igreja.

Bento XVI: creio que ninguém ficou surpreendido por estas palavras. Tendo em conta que, num mundo onde os infectados pelo VIH não param de aumentar e a Igreja condena o uso do preservativo (única forma até à data disponível para combater este flagelo), de certa forma estas palavras até seriam de esperar (e é por estas e por outras é que a Igreja Católica tem cada vez menos adeptos)…

Enquanto cidadão julgo que todos temos o dever de nos informarmos sobre este assunto e tomar uma decisão ponderada  em consciência, pesando todas as consequências que do nosso voto poderão advir, quer para as mulheres que hoje recorrem ao aborto clandestino e morrem nas mãos de uma qualquer parteira, quer para as crianças que não irão nascer, antes de votar.

Mas…quanto a pressões, venham elas donde vierem, tenho 3 palavras a dizer: não, muito obrigado!

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